Quando fiz a leitura do texto de Irandé Antunes - Refletindo sobre a prática da Aula de Português - pude realmente refletir sobre a prática do professor em sala de aula. Para mim, a autora levanta questões muito pertinentes sobre o tema e destaco o seguinte trecho:
"[...] já está na boca de muitos a crítica de que a escola não estimula a formação de leitores, não deixa os alunos capazes de ler e entender manuais, relatórios, códigos, instruções, poemas, crônicas, resumos, gráficos, tabelas, artigos, editoriais e muitos outros materiais escritos. Também não deixa os alunos capazes de produzir por escrito esses materiais." (ANTUNES, 2003, p. 15)
Onde está a funcionalidade social da língua dentro da sala de aula? Nós não deveríamos educar para a vida? E o que é educar para a vida? Para mim, significa tornar o indivíduo capaz de ser um cidadão, ler os textos do cotidiano e aqueles mais complexos também (e saber escrevê-los quando necessário), mas também trabalhar a oralidade em diferentes contextos...Enfim, tornar o indivíduo capaz de participar das diferentes situações da vida.
Analisei o livro Língua Portuguesa e Inglês do 7º ano, que faz parte do sistema de ensino GPI. Ele é dividido em 4 livros ao longo do ano.
* O livro 1 da parte de português contém 4 unidades:
Introdução - fala sobre o ato de comunicar e as diferentes linguagens;
Mudanças e a evolução do homem (que trata dos verbos, advérbio e pontuação);
O homem e suas evoluções (que trata da semântica, acentuação, ortografia e preposição);
Unidade de revisão;
* O livro 2 da parte de português contém 2 unidades:
O homem e a amizade (que trata da conjunção, interjeição e acentuação);
O homem e o amor (que trata da ortografia, frase, oração, período simples, período composto, sujeito e predicado);
* O livro 3 também tem 2 unidades:
O homem sendo jovem (conteúdos: sujeito simples, sujeito composto, vozes verbais, agente da passiva, sujeito indeterminado);
O homem sendo adulto (palavra SE, oração sem sujeito);
* O livro 4, por fim, tem 2 unidades:
O homem e seus sonhos (conteúdos: concordância verbal e nominal, predicativo do sujeito, predicado nominal, predicado verbal);
O homem e a realidade (predicado verbo-nominal, predicativo do objeto, objeto direto, objeto indireto);
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O que observamos acima é o ensino da língua portuguesa centrado nos conteúdos técnicos e fragmentados da língua e ensinados a partir de temas (que são os que nomeiam as unidades). Há a presença de gêneros, mas poucos são aqueles usados no cotidiano. Mas não podemos apenas criticar negativamente o livro, pois o ensino a partir de temas contextualiza o ensino, não fica um conteúdo totalmente "solto". Além disso, há exercícios de interpretação de textos, outros de produção textual e a maioria dos exercícios propostos são elaborados a partir de algum gênero textual.
Enfim, como Antunes afirma, há sinais de mudança...

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